Morre Tetsuya Chiba, criador de Ashita no Joe, aos 87 anos
Mangaká morreu em 22 de outubro, em Tóquio
O mangaká Tetsuya Chiba, desenhista de Ashita no Joe (Tomorrow's Joe), morreu aos 87 anos. A morte ocorreu em 22 de outubro, num hospital de Tóquio, e foi divulgada pelas editoras do autor nesta terça-feira (27). A causa foi uma síndrome mielodisplásica, doença que afeta a medula óssea. Segundo a cobertura do ComicBook, o velório foi reservado à família.
Nascido em Tóquio em 1939, Chiba passou a primeira infância na região que hoje é o nordeste da China e estreou como profissional em 1956, ainda no ensino médio, aos 17 anos. Seguiu em atividade por cerca de 70 anos. Seu trabalho mais recente era o mangá autobiográfico Hinemosu Notari Nikki, publicado na revista Big Comic desde 2015 e suspenso em 25 de setembro por problemas de saúde, segundo o Anime News Network.
Ashita no Joe foi escrito por Asao Takamori e ilustrado por Chiba. Saiu na Weekly Shonen Magazine, da Kodansha, entre 1968 e 1973. A história acompanha um jovem sem rumo que sobe no boxe japonês e é lembrada como uma das mais influentes do esporte nos quadrinhos. A obra ganhou dois animes, em 1970 e 1980, e dois filmes, em 1980 e 1981. Em 2018, o anime Megalobox reimaginou o enredo num cenário de ficção científica e credita o mangá como origem. A sequência, Megalobox 2: Nomad, estreou em 2021.
O reconhecimento veio ao longo da carreira. Em 2022, Chiba foi um dos dois primeiros mangakás indicados à Academia de Artes do Japão, ao lado de Yoshiharu Tsuge, e presidiu a Associação de Cartunistas do Japão. Em 2024, tornou-se o primeiro autor de mangá a receber a Ordem da Cultura, honraria dada a quem contribui de forma notável para a cultura do país. A Kodansha também mantém desde 1980 o Prêmio Tetsuya Chiba, voltado a novos talentos, que chegou a ter a participação dele na avaliação final.
Para o público de língua inglesa, a obra chegou oficialmente tarde: a primeira edição licenciada saiu em dezembro de 2024, como Ashita no Joe: Fighting for Tomorrow. Em nota, a Kodansha afirmou que Chiba "possuía um amor e uma confiança infinitos no meio do mangá" e que sua contribuição era insubstituível. A Shogakukan, que publicou várias obras dele, disse que fará uma cerimônia de despedida em data a definir, conforme o OtakuPT.



