Japão propõe plataforma única de mangá com tradução por IA
Governo quer reunir editoras e traduzir com IA
O governo japonês estuda uma forma de colocar leitores do mundo todo para ler mangá de várias editoras no mesmo lugar. A ideia partiu do Ministério das Finanças e prevê o uso de inteligência artificial para traduzir as obras para diversos idiomas. Por enquanto, é uma proposta em debate, não um plano fechado.
O assunto foi levantado na quinta-feira (22) numa reunião do Conselho do Sistema Fiscal, órgão consultivo do ministro das Finanças dedicado a formas de aumentar a receita que a indústria de conteúdo do país gera fora do Japão. O argumento do ministério é que o Japão não tem hoje uma plataforma que reúna várias editoras, enquanto serviços estrangeiros de distribuição de mangá ocupam posições dominantes no mercado.
Segundo o OtakuPT, que cita o site Automaton e uma reportagem da ABEMA News, a plataforma juntaria catálogos de diferentes editoras, com divisão de receita conforme o uso e apoio do Estado à produção, ao marketing internacional e ao combate à pirataria. O ministério quer discutir a iniciativa antes do orçamento do ano fiscal de 2027 e busca a colaboração de grandes casas, como Shueisha e Kodansha. O mesmo relato afirma que só entre 3% e 4% dos títulos de mangá japoneses têm tradução oficial em mercados como a América do Norte.
A parte mais delicada é a tradução automática. Para o ministério, a tecnologia pode ser o caminho para o público estrangeiro aproveitar as obras japonesas, mas a componente deve gerar resistência: fora do Japão, as opiniões sobre tradução por IA são bem mais divididas do que dentro do país.
O Japão já tem iniciativas na área. A empresa Orange ampliou a emaqi, plataforma que combina tradução por IA com localização profissional, para Reino Unido, Irlanda, Austrália e Nova Zelândia. Antes disso, o jornal Yomiuri havia noticiado que o Ministério da Economia, Comércio e Indústria preparava cerca de 11,5 bilhões de ienes em apoio a 15 empresas, com a tradução por IA entre os objetivos. A Agência para Assuntos Culturais e o ministério da Economia também pediram, para o ano que vem, um orçamento conjunto superior a 250 bilhões de ienes, com subsídios que podem ir direto às editoras.
O Ministério das Finanças lembrou ainda o fracasso amplamente noticiado do Cool Japan Fund para ressaltar que órgãos públicos têm dificuldade em identificar e escolher as empresas com mais potencial. As recomendações do conselho serão reunidas e entregues ao ministro até dezembro, quando pode haver novidades — como destaca o IntoxiAnime. Para o leitor brasileiro, a promessa é mais acesso a títulos sem edição oficial, mas nada disso está garantido hoje.



