Netflix revela que já usou IA em cerca de 300 produções
Em Busan, Netflix diz que toque humano é crucial
A Netflix já usou inteligência artificial, em diferentes graus, em cerca de 300 títulos. O número foi revelado neste sábado (10) por Sung Q Lee, que ocupa a diretoria sênior de produção da empresa para a Ásia-Pacífico, durante o evento Creative Asia, realizado em parceria com o Festival Internacional de Cinema de Busan, na Coreia do Sul, segundo o The Hollywood Reporter.
De acordo com Lee, a tecnologia aparece em várias etapas: previsualização, design de produção, planejamento de cenografia, edição e, claro, efeitos visuais. Para Lee, a pergunta relevante não é quanta IA cabe em um título, e sim o que aquele título consegue fazer a mais com ajuda dela. A Netflix não detalhou quais produções estão na conta.
O discurso da Netflix foi de cautela: tecnologias novas ajudam no "como" se faz, mas nunca decidem o "porquê" de contar uma história. "Para transmitir emoção, no fim das contas, um humano precisa tocar nisso", afirmou Lee. O CTO da Wētā FX, Kimball Thurston, que também esteve no painel, descreveu o uso na empresa como "IA assistiva", sem permissão para mudar a intenção criativa.
Quem mostrou entusiasmo maior foi o diretor sul-coreano Kang Yun-sung, de The Outlaws. Ele co-dirigiu Run to the West, apresentado como o primeiro longa coreano totalmente assistido por IA, que arrecadou cerca de US$ 100 mil nas bilheterias em meio a críticas ao visual. Agora, em seu próximo filme de ação, The Gulf of Aden, Kang usa ferramentas de IA generativa da chinesa Kling e calcula uma redução de cerca de 40% nos custos de produção.
O assunto dominou o mercado do festival. Em outro painel, a Kling AI reuniu cineastas asiáticos que também apostam na tecnologia, e a mensagem foi parecida: segundo o Deadline, o diretor Kim Sung-soo, de 12.12: The Day, disse que as ferramentas estão ao alcance de todos, mas que sem profissionais experientes "tudo acaba com a mesma cara". O contraste com Hollywood, bem mais desconfiada da IA, ficou evidente: na Ásia, a tecnologia é vista sobretudo como oportunidade para produções de orçamento limitado.



